Farol Santander Porto Alegre inaugura exposição SARAMAGO – os pontos e a vista

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Exposição cria, por meio de projeções e objetos pessoais, vivência singular a partir do ponto de vista do escritor.

A mostra tem mobiliários e acessórios originais, como cama, óculos e a lupa do autor, nunca expostos antes, cedidos temporariamente pela Fundação Saramago.

A base da pesquisa foi o extenso acervo de imagens e depoimentos captados por Miguel Gonçalves Mendes para o filme “José e Pilar”.

Interatividade permite ao público levar duas páginas do livro “A Viagem do Elefante”, impressas em mimeógrafo.

O Farol Santander, novo centro de empreendedorismo, cultura e lazer em Porto Alegre, recebe, de 7 de julho a 29 de setembro, a exposição SARAMAGO – os pontos e a vista, apresentada pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet e com curadoria de Marcello Dantas.

A mostra traduz o universo da literatura para uma experiência expositiva singular em primeira pessoa, sobre um dos escritores contemporâneos mais aclamados e influentes no mundo. São momentos preciosos e inesquecíveis de um extenso acervo de imagens e depoimentos captados por Miguel Gonçalves Mendes para o filme José e Pilar, captados durante cinco anos em que conviveu de perto com o autor.

Com uma expografia que aproxima o público do escritor, a mostra apresenta as reflexões profundas de Saramago sobre as condições humanas e as relações de poder, temas que permeiam sua criação literária.

“Sua trajetória errante e inquieta, desde o nascimento em Azinhaga até a morte em Lanzarote, é o objeto desta exposição. O que nos interessa é o cidadão, o observador, o amante, o solidário, o seu humor. José tinha uma dimensão desproporcional: uma vida em que sua estatura, seja física, intelectual ou cívica, sempre contrastou com os ambientes em que esteve”, afirma Marcello Dantas, curador da exposição.

Para Patricia Audi, vice-presidente executiva de Comunicação, Marketing, Relações Institucionais e Sustentabilidade do Banco, “a exposição Saramago – os pontos e a vista éum encontro do Santander com o premiado Nobel de Literatura”.

“A mostra traz um olhar 360º das obras do artista com um rico acervo de memorabília e materiais audiovisuais, além de filmes sobre sua trajetória de vida, editados especialmente para a exposição”, prossegue a executiva. “A edição dos filmes, criados especialmente para a mostra, proporciona uma imersão que vai muito além da crítica afiada do autor, do seu texto detalhista, com pontuação nada convencional, e da fala dos personagens reais e fictícios, muitas vezes confundida com auto reflexão”.

A obra de José Saramago é, sem dúvida, um dos maiores legados da literatura contemporânea. Mas a motivação da mostra é também revelar o homem que ele foi, por meio de episódios memoráveis da sua vida, e mostrar suas principais características: a capacidade de aprender, de observar, de reinventar-se, de amar e de, incansavelmente, deslocar-se – seja em nome de uma causa, seja para defender um novo ponto de vista.

Saramago foi um homem sensível, carinhoso e humano. Antes de se tornar escritor, exerceu diversas atividades que o permitiram experimentar a vida a partir de diferentes observações. Esse acúmulo de perspectivas o ajudou a formar seu modo único de enxergar o mundo. Nascido em 1922, seu primeiro livro foi escrito aos 58 anos. Já aos 65encontrou Pilar Del Río, o grande amor de sua vida. Pilar Del Río. O prêmio Nobel, o primeiro da história em língua portuguesa, veio aos 76 anos. Saramago faleceu, em 2010, aos 87 anos,

A exposição SARAMAGO – os pontos e a vista
A mostra, com mil metros quadrados de área expositiva é composta e estruturada por 15 vídeos e um projeto expográfico que se desenvolve de forma modular, com uma pequena ambientação para cada vídeo. Cada módulo é composto de um objeto cênico, uma vídeo-projeção e um pequeno texto explicativo, que costuram um panorama das diferentes dimensões do autor.

Em alguns módulos a projeção ocorre sobre o objeto, em outros, sobre um painel ou parede. A estrutura está conectada entre si, por meio de um piso ilustrado que guia o visitante pela mostra. Não há uma narrativa pré-estabelecida e cada vídeo ou módulo, se encerra em si mesmo, o que permite aos visitantes percursos variáveis pelos fragmentos dessa narrativa poética.

Além dos espaços modulares, uma cronobiografia de José Saramago contextualiza os acontecimentos de sua vida com relação à sua produção literária, sendo composta por textos, fotos, livros e vídeos referenciais.

1. OBJETO DE IDENTIDADE
Elementos Expositivos – projeção sobre um livro antigo de cartório.
Este filme de abertura funciona como uma apresentação, como se Saramago nos convidasse a entrar em seu universo ao nos contar, em primeira pessoa, a inusitada história do seu próprio objeto de identidade.

2. AZINHAGA
Elementos Expositivos – projeção em um baú de memórias forrado com matérias de jornal.
Azinhaga é o lugar da memória como matéria incerta, não apenas como registro do passado, mas como uma parte do que nos molda por todo o sempre. No filme, José Saramago fala sobre a memória e reconta histórias dos avós. O que ele relembra dos dois é exatamente o que ele mesmo pensa da vida aos 90 anos.

3. SONHO
Elementos Expositivos – projeção no travesseiro sobre a cama original.
José Saramago sabia que era alguém desproporcional e passou a vida não cabendo num papel determinado. Quando pequeno era melancólico, diferente de todas as outras crianças. Ao longo da vida, carrega o desassossego com o mundo que também se reflete num desassossego interno, “O caos é uma ordem para se decifrar”.

4. LÍNGUA
Elementos Expositivos – projeção em uma janela tradicional portuguesa.
A formação e a evolução da linguagem no desenvolvimento da nossa capacidade de comunicação. A compreensão da linguagem como matéria prima da expressão humana. É esse entendimento que o permite corromper a norma clássica na sua produção literária.

5.  VISÃO
Elementos Expositivos – dez óculos espalhados no ambiente. Apenas ao colocar os óculos a pessoa consegue enxergar o filme com foco.
Saramago fala sobre a natureza humana e sobre como vivemos um tipo de cegueira acreditando nas imagens como se estivéssemos, de fato, vivendo a ilusão da caverna do Platão. O material bruto de Janela da Alma, de João Jardim, é usado na construção deste tema.

6. A DECISÃO
Elementos Expositivos – espelhar a imagem no vídeo e projetar em vértice, em dois painéis móveis, e telas acrílicas jateadas.
Momento chave da vida de Saramago, quando aos 60 anos, e sem qualquer perspectiva, decide arriscar e ver se poderia ser um escritor. Começa então, uma produção literária que nunca mais foi interrompida.

7. O ENCONTRO
Elementos expositivos – Dois vídeos projetados nas duas faces de uma moeda. De um lado Pilar Del Río, do outro, José Saramago.
Montagem poética com imagens em Super 8 de José Saramago e Pilar Del Río separados e juntos. No áudio se escuta apenas o escritor lendo as dedicatórias de seus livros feitas para Pilar, sua esposa.

8. LANZAROTE
Elementos expositivos – projeção no chão coberto com areia de Lanzarote formando um morrinho/barulho do vento/areia como a neve do deserto.
José passou a maior parte de sua vida em Portugal, mas ele era maior que Portugal e conseguia ter um olhar crítico com relação ao País. Quando foi rejeitado por críticas ferrenhas ao seu trabalho, optou pelo auto exílio em Lanzarote, nas Ilhas Canárias.

9. DESLOCAMENTOS
Elementos Expositivos – projeção feita numa mala antiga de viagem.
Com o reconhecimento do Prêmio Nobel, Saramago aproveita para transformar sua indignação com a injustiça e assumir o papel de ativista com mais destaque e de forma incansável.

10. NATAL NO MÉXICO
Elementos Expositivos – projeção sobre uma parede monocromática onde muitos brinquedos chineses industrializados de plástico estão pintados de branco
Para José Saramago, todo problema do mundo está relativo ao acúmulo. Esse acúmulo cria uma pressão para as pessoas e para o mundo. Com uma ironia marcante, Saramago manda esse recado de Natal para o México, criticando o consumismo que foi criado em torno da festividade natalina e relembrando que as crianças precisam é de simplicidade, fazer seus próprios brinquedos, se relacionarem e estarem presentes.

11. A VIAGEM DO ELEFANTE
Elementos Expositivos – o livro A viagem do Elefante está exposto da maneira como foi escrito, organizado por data com as duas páginas que escreveu a cada dia.
José tinha consciência da sua finitude. Mas também tinha consciência de que somos responsáveis pela forma como estamos no mundo. Ele tinha um auto controle capaz de produzir apenas o necessário, apenas o que poderia ser absorvido, mesmo tendo pressa e sabendo que seu tempo era curto. Esse filme mostra o processo de escritura do livro A Vida do Elefante e um pouco da relação simultânea entre a criação e a tradução da obra, feita pela própria Pilar Del Río. Nesse módulo, o público pode levar para casa duas cópias, feitas em um mimeógrafo, das páginas escritas que forem correspondentes ao dia da visita.

12. DEUS
Elementos Expositivos – um táxi é colocado no espaço e a projeção é feita dentro dele, dando ao público a oportunidade de dividir um espaço de confessionário com José.
Trechos da obra O Evangelho Segundo Jesus Cristo” conduz o filme para a divagação metafórica de José a respeito da vulnerável relação entre razão e fé. Questiona como o homem atual necessita da existência de Deus para explicar a própria existência. Fala sobre a vida, a espiritualidade e a finitude.

13. A VIDA E O TEMPO
Elementos Expositivos – projeção sobre um muro de arrimo, como metáfora do fim da vida.
Aos 86 anos, Saramago fala sobre a vontade de ter tempo. Nessa altura da vida está claro para ele que essa é a única coisa que pode desejar. Fala sobre a experiência de quase morte e como a vida do elefante é uma metáfora da inutilidade da vida, uma vez que não conseguimos fazer dela mais do que o pouco que ela é.

14. MORTE
Elementos Expositivos – projeção sobre o outro lado do muro de arrimo, e como objeto, uma oliveira de verdade.
Saramago fala sobre a finitude da vida e de todas as coisas.

SERVIÇO – FAROL SANTANDER PORTO ALEGRE
Data: 07 de julho até 29 de setembro de 2019.
Onde: Rua Sete de Setembro, 1028, Centro Histórico, Porto Alegre, RS, Brasil, 90010-191
Telefone: 51 3287.5500
Locações: todos os espaços, em qualquer horário e dia da semana, conforme disponibilidade (solicitar informações por telefone ou email)
Entrada acessível: Avenida Cassiano Nascimento – acesso lateral
Site Farol Santander: www.farolsantander.com.br
Email: [email protected]
Funcionamento: terça a domingo e feriados
Horários: 10h às 19h (terça a sábado) / 10h às 17h (domingo e feriado)
Ingressos: site do Farol Santander e bilheteria física no local
Horário Bilheteria: 10h às 19h (terça a sábado) / 12h às 17h (domingo e feriado)
Ingressos:  R$ 10 – cliente Santander tem 10% de desconto
Acessibilidade: Banheiros e elevadores adaptados, rampas de acesso
Gratuidade: Último domingo de cada mês para todos os públicos
Agendamentos de grupos de redes de ensino: E-mail [email protected] ou pelo telefone 51 3287 5801

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